Ser santo?
Nestes dias me vem a intuição de pensar em que consiste a santidade, como
ficam os pecados cometidos durante a vida antes da conversão? Será que Deus depois de uma vida mudada ainda leva em consideração aqueles pecados, cujo já passado, não fazem mais parte da vida.
Ora lia a pouco nos manuais de eclesiologia que a santidade não consiste só no âmbito da moralidade, mas sim fazer morada de Deus em meio aos homens. Ora como podemos fazer isso? Como manifestar Deus em nossas vidas depois de um período de desagregação, de afastamento, de longitude de Deus?
A partir de uma decisão de Deus e por sua graça, além de uma resposta pessoal, e com o auxilio do Espírito Santo, Deus instaura sua vida entre nós.. E nós colaboramos, pois não somos de forma alguma seres passíveis da vontade de Deus. Há também em nós uma vontade, uma colaboração de Deus em nossas vidas, por isso que a mudança de vida parte de um encontro com Cristo, e não de uma decisão pessoal, ou ideológica, ou ética... de ser cristão. Este encontro nos permite encontrar respostas, as quais o ser humano sempre anseia, pois o homem em sua própria natureza, em sua índole está sempre à procura da verdade, que é Deus. Por isso há uma “nunca satisfação” do homem, há sempre um sentimento de querer mais, mas nunca realmente preenchido. Eis o grande problema do homem: a crise de identidade! Ou seja, crise daquilo que o homem realmente é, pois não sabe mais o que ser.. Assim há a crise da ética, as influências a favor do aborto, ou das uniões homossexuais, que desvaloriza o sentido da família, parte fundamental no processo de construção de identidade daquilo que tem que ser. Em fim, dentre tudo isso o homem de hoje é dominado pelo ter.
Entretanto, ao encontrar com Jesus sua vida é respondida, seus anseios terrenos acabam, sua vontade de ter cessa. Porém, tal encontro nos desperta uma outra “nunca satisfação” a de ser (não a de ter) santos. Aquilo que fizemos movidos pelo ter, agora se converte em ser..somo chamados por Cristo a cada vez mais não ter, a não ser a graça da Santidade, mas a ser santos. Mesmo aqueles que nunca cometeram pecado mortal durante toda sua vida, fizeram dela um grande processo de discipulado, em que cada dia, ao lado de Jesus ( pois eis a ordem básica do encontro com Jesus, aquele que realmente o encontra nunca mais quer deixá-lo, e Jesus ordena para permanecermos no seu amor) vai querendo cada vez mais ser semelhante ao mestre a ponto de desejar o martírio.
Eis ai a questão posta: o encontro com o Senhor nos revela quem realmente somos, para quê nós fomos criados? Ao tomarmos posse disso, não somente no âmbito cognoscitivo, mas em todo o âmbito da pessoa; iniciamos o processo de apetecer ser aquilo que fomos destinados por Deus desde o princípio, a sempre permanecer no Senhor e imitá-lo, buscando ser aquilo a que nós fomos destinados.
A isso chamamos de busca da santidade, pois fomos criados para participar da vida de Deus e sermos uma nação santa: a Sermos! E não a termos! A busca da santidade não é ter.. sim é ser.... e até mesmo após a morte esse ser não esgota, pois a caridade nunca passará. O amor a Deus como fonte e real sentido de nosso ser nunca acabará: ao contemplarmos o rosto de Deus, face-a-face, sempre vamos procurar descobrir novas coisas. Será uma eterna novidade, pois Deus é infinito.
Por isso falamos que a pessoa tem que SER santa, isto é manifesta aquilo que ela é e não aquilo que quer ter. Por isso basta termos a graça de Deus para sermos santos, pois por nosso próprio esforço nunca conseguiremos imitar o mestre, ser aquilo que fomos destinados a ser: Filhos de Deus.
Diac Joannes Paulus
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